Reproduzimos a serguir um comentário de Sergio Boechat, coordenador político do PHS - Volta Redonda, sobre política e cultura:
"Os Prefeitos Municipais, os Governadores de Estado e os Presidentes da República, em geral não dão nenhuma importância à Cultura e por isso mesmo não se preocupam em discutir e implementar uma Política Cultural, nomeiam para a Pasta quem não tem nada a ver com a Cultura ou dão a Secretaria como prêmio de consolação a um Partido, na composição do Secretariado ou do Ministério.
O ex-prefeito César Maia, em artigo escrito para o Jornal Folha de São Paulo, faz algumas considerações sobre o problema, ele que já foi Prefeito por três vezes da cidade do Rio de Janeiro. Esta visão distorcida em relação à Cultura precisa mudar pela sua importância na formação dos cidadãos e na geração de trabalho e renda.
Vale a pena ler o artigo do César Maia."
POLÍTICA E CULTURA!*
por César Maia
Brizola dizia que governo investir em cultura cria sempre problema, pois, aí, cada cabeça uma sentença: Sempre se desagrada mais do que se agrada. Parece que, em geral, essa tem sido a motivação dos Presidentes da República nestas últimas décadas. Às vezes um Ministro silencioso, outras vezes um alegre... e tudo vai ficando na mesma: O patrimônio cultural se deteriorando, os museus do mesmo jeito, e episódicos programas, projetos e eventos. As leis de incentivo fiscal têm sido um alívio para os Governos: Demonstram que gastam e repassam ao setor privado. Ou se empurra para as empresas estatais.
Eventos ocasionais e em dias calendário de festas religiosas e folclóricas geram um dissenso muito menor. A defesa do patrimônio histórico e cultural se faz com zelo, mas os recursos para recuperar esse mesmo patrimônio são escassos. Há PAC de tudo, só não há de cultura. As escolas de música vão sendo fechadas país afora e o apoio se concentra em percussão, como um sinal da relação de cultura com inclusão social. A formação de plateia para concertos, óperas e balés pouco existe e nada cresceu.
Os promotores têm o cadastro praticamente invariável. No Rio, representa mísero 0,1% da população com mais de 14 anos. Os concertos para a juventude ocupam mais de 60% do uso de salas como a Cité de La Musique em Paris ou a Sala de Luxemburgo. Do outro lado da rua, os discípulos governistas do filósofo marxista Louis Althusser, morto em 1990, pretendem um Estado expandido ("Aparelhos Ideológicos de Estado") e, entre estes, a cultura, as letras e as belas artes.
Esses querem regulamentar a cultura, quebrar a sua diversidade intrínseca e ditar regras sobre o que deve ou não deve ser feito. E ficam pensando em conselhos e conferências de todos os tipos, na busca de respostas à passividade dos governos com seu ativismo ideológico. E, no meio da omissão e do ativismo, segue a cultura como uma sub-área dos governos federais, cujas ações são muito mais para acalmar e ganhar tempo, sem que nada de substantivo ocorra. O Ministério é, às vezes, dado como presente na compensação partidária de composição de Governo. Ou tem um efeito simbólico com nomes de destaque, para despertar otimismo na "classe". Às vezes nem isso.
Lá se vai a campanha eleitoral em etapa avançada com a entrada da TV, as entrevistas no "JN", os debates... E até aqui nenhum dos candidatos reservou um minúsculo minuto do tempo que tem à disposição para falar de sua política cultural. Nem um minuto. "E La Nave Va".
ARTIGO DE CÉSAR MAIA, NA FOLHA DE SÃO PAULO.