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26/06/2011

A Saúde em Volta Redonda

por Sérgio Boechat*

A Prefeitura de Volta Redonda fez uma campanha publicitária durante algum tempo com o seguinte slogan: “Uma das cidades que mais investem em Saúde no Brasil”! Ninguém sabe em que, onde e como porque as filas continuam, a marcação de exames demora demais, o sistema de senhas continua existindo, faltam especialistas, faltam medicamentos, a população continua levantando de madrugada para buscar uma senha, há falta de leitos para cirurgias e faltam vagas na UTI!

Pesquisei no último Relatório de Gestão da Secretaria de Saúde que existe no “portal” da Prefeitura e encontrei algumas razões para todo este caos. A Secretaria de Saúde não tem estrutura para atender a uma cidade do porte e da importância de Volta Redonda. Não há problema de falta de recursos. Há problemas de gestão e de priorizar o que tem que ser priorizado. Como explicar, por exemplo, que a rede pública municipal não tenha, segundo o Relatório, um único aparelho de ressonância magnética? Tenha apenas 02 tomógrafos, 03 mamógrafos, 04 aparelhos de ultrassom e 03 Raio X, alguns funcionando precariamente, para uma cidade com quase 300 mil habitantes?

E as falhas de estrutura não param por aí. O Município tem apenas 33 equipes do Programa Saúde da Família, para um total aproximado de 70 bairros! Não podemos nos esquecer que a Cruz Vermelha foi contratada, sem licitação, em 2005, por 6 milhões de reais, na época, e hoje já custa mais de 10 milhões de reais por ano, para expandir o Programa e não expandiu nada! A meta era atingir 43 equipes até julho de 2005 e até hoje, seis anos depois, a Prefeitura continua praticamente com o mesmo número de equipes. Por que continuam renovando o contrato da Cruz Vermelha? A resposta é simples e dada pelo próprio Prefeito que fez a primeira contratação: “A Prefeitura de volta Redonda, através da Secretaria Municipal de Saúde/VR, e em parceria com a Cruz Vermelha, contratou cerca de 120 profissionais que foram capacitados na estratégia Saúde da Família para atuar nas equipes do PSF no município”. A Cruz Vermelha contrata pessoal, indicado pelo Prefeito, sem concurso público e com salários bem superiores àqueles pagos aos profissionais de saúde do Quadro Permanente, burlando assim a Constituição da República e a Lei de Responsabilidade Fiscal. E ninguém vai para o PSF! Hoje, com este desperdício todo de dinheiro, Volta Redonda tem apenas 01 Centro de Imagens, 02 Farmácias Populares, 01 Laboratório de Análises Clínicas, 03 Unidades de Emergência, 09 Unidades Básicas de Saúde e 06 Centros Odontológicos. Este é o retrato do caos na Saúde!

O município de Volta Redonda tem, segundo o IBGE e também de acordo com o Relatório de Gestão da SMS, 100.573 mulheres entre 15 e 69 anos. Como atender a esta população feminina, que precisa fazer exame preventivo de câncer de mama, de útero e de colo de útero, contando com apenas 3 mamógrafos, 2 tomógrafos e nenhuma ressonância magnética? O caos se completa se analisarmos a questão dos leitos hospitalares. Há apenas 65 leitos cirúrgicos e esta é uma das razões de tantas cirurgias suspensas. Míseros 25 leitos obstétricos e pasmem, apenas 35 leitos pediátricos, para atender 75.182 crianças, segundo dados da própria Prefeitura. A Organização Mundial de Saúde prescreve 04 leitos para cada 1.000 habitantes. Aplicando-se esta equação a Volta Redonda deveria existir, na cidade, 1.200 leitos e a rede pública tem apenas 351 leitos, que somados aos da rede privada, alcançam 480 leitos.

De nada adianta construir novas unidades e “inaugurar” reforma e ampliação de centros de saúde, se não há equipamentos suficientes e não há médicos especialistas para colocar nestas unidades. De nada vai adiantar construir o Hospital Regional, se não colocarem lá equipamentos de última geração e profissionais excelentemente remunerados! E quem vai pagar por isto, se o município mais rico da Região não tem uma estrutura absolutamente ridícula que não atende àqueles que precisam da saúde pública? O Governo vive de aparência e faz festa para tudo, mas no fundo tudo continua igual e a saúde continua sendo um problema sem solução, depois de quase 16 anos de governo de dois prefeitos que têm a mesma filosofia de trabalho, que não priorizam a saúde, não investem onde tem que ser investido e indicam sempre pessoas erradas para gerir as questões da saúde pública.

Saúde e Educação não rimam com politicagem! Os cargos têm que ser ocupados por técnicos competentes, sérios e muito bem remunerados e não por amigos do Prefeito ou correligionários. Ninguém inventa nestes dois setores. Ou sabe ou não sabe. E até aqui, pelo menos, já no quarto mandato, o grupo político que domina a cidade já demonstrou, sobejamente, que não tem competência para implantar uma Educação de qualidade e uma Saúde Á altura das tradições da Cidade do Aço e que dê resposta àqueles que dependem do serviço público. Este é o retrato da Saúde em Volta Redonda! Ainda bem que 2012 é logo ali!

* Sérgio Boechat é advogado e membro do PHS de Volta Redonda.